domingo, 1 de abril de 2012

Saída de negligência

Uma vela acesa encostada nas rosas secas.

As rosas pegam fogo, incendeia os retratos que caem e consigo derruba a garrafa de uísque.
O fogo se espalha pelo quarto transformando em cinzas os livros de histórias contadas para crianças dormirem.
Os álbuns de fotografias alimentam ainda mais o fogaréu,
A fumaça sai apertadamente entre buracos nos telhados.
A rua está vazia e todos dormem neste “lindo” momento.

A mulher acorda entre tosses e olhares de desesperos e corre para o quarto do seu bebê.
O berço parece fogueira dando despedida. Móveis em chamas, paredes chamuscadas
O inferno ali existia em sua forma mais crua e despida.

A mulher sai com seu filho nos braços, braços ardendo, criança sufocada
Ofegante, firme, forte.
Ela corre do quarto, vai apressada para a entrada da casa
O telhado cai fechando todas as saídas, bloqueando todas as suas esperanças.

O gás explode e casa está prestes a cair,
Um buraco abre em uma das paredes que dá para o quintal,
A mulher pega o bebe e o joga delicadamente pelo buraco.

Os vizinhos assistem aquilo sem nada para fazer, pegam a criança e o afasta do fogo.

A mulher limpa os olhos das lágrimas, vai até o seu quarto parcialmente destruído e esconde os entorpecentes, as lâminas e o veneno, depois se agarra a uma fotografia do filho ainda intacta, sorri e se deita na cama em chamas.

Quando a ajuda chega, seria tarde demais.

A casa explode e vai abaixo, junto a mais um corpo que implorava por vida.
A casa explode e vai abaixo.

Jessie Jones
Imgem por: Dominic Episcopo

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