quinta-feira, 24 de novembro de 2011

As janelas do quarto (Fechadas)

As peças foram tiradas uma por uma.
O medo e a vergonha vieram nos cumprimentar
Mas logo foram embora.

Os pingos da vela caiam
Sobre nosso corpo de maneira indolor.
Escorrendo feito lágrima  em dias de desistência.

Corpos desenhados
Extremamente polido por seus donos.
Eram seios jovens e vaginas com o ar de inocência
Era a liberdade incondicionalmente perdida
E não fazíamos esforços de achá-la.

Fomos livres por um momento.
Momento único e único.
Não sabíamos o que era o mundo
Arte complementar da vida
Aquilo era vida
A vida é liberdade.

Iremos nos despir e sermos livres
Vamos celebrar nádegas cheias de opinião, abrindo e fechando-se.
Vamos celebrar os órgãos sexuais olhando-se e amando-se.
Vamos protestar.
Vamos gritar por Liberdade.

“E deixar nossos pássaros machucados abrirem a gaiola e partirem vôo.”

Jessie Jones
                                                                    Imagem Propria.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O Quarto


São os sapatos pelo o chão
As roupas em cima da cama
A TV fora do ar
Lembranças e desesperos nas paredes
O desleixo em foco junto ao corpo recolhido ao canto
Com suas marcas de desistência na cor de vermelho
Como a rosa murcha em mínimo detalhe incrustada nas fotografias mortas.
“E as notas musicais soam e desaparecem com o tempo junto com as lembranças e os desesperos irracionais."

Jessie Jones

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Compartimento Vazio


É nas sombras de algum amanhecer
Que percebe-se os erros idolatrados
De um corpo submisso e complexo.

Lágrimas caem nas horas vazias
E venenos são tomados e injetados
Em veias pobres de felicidade.

Os antidepressivos conversam com a mente
E antipsicoticos adormecem a criança doente
Descrente na raça do tipo manipuladora.

Permanece neutro entre os caminhos
Que de vez em nunca faz com que desapareça
Nas névoas negativas dos pensamentos.

Tudo faz parte de um grande conjunto
Como um sexo grupal que ninguém sabe
Com quem ter seus orgasmos, que por muitas vezes
São inexistentes.

É nas sombras de algum anoitecer
Que percebe-se os medos manipulados
Por um corpo submisso e perplexo.

“E assim são chamados os medrosos de querer sonhar:
Corpos vazios – Compartimento ejaculatório do pavor.”

Jessie Jones

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Boa Noite Cinderela


Irei por veneno em tua bebida
Para que possa dormir
Por um longo tempo.
E quando acordar
Terá dias melhores
Ou talvez piores.
Pois ninguém saberá.

É com os olhos fechados
Que iremos sentir
A chuva, o vento, o desespero de precisarmos de alguém.
Mas como querem tudo isso...

Não passa de sonhos.
Sonhos de olhos abertos.

Irei por veneno em tua bebida
Pra que possa se sentir
De pé por mais tempo.
E quando caminhar
Irá cair neste buraco
E vamos poder nos tornar um só.
“Por um longo tempo...”

Jessie Jones
Fotografia por: Pavel Titovich

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Especialista

Devo pular?
Ou apenas sentir a brisa de um adeus?
É alto aqui...
Mas não tenho mais medo.
Será apenas mais uma queda
Mais uma bela queda.

Já passou da hora.
- Pule seu covarde
Não tema mais.
Por muito tempo se escondeu.

Me diz, existe compaixão?
Me diz ...
 Agora chegou a hora.
Eu sinto muito meu amor.
Sempre falhei. Apenas especialidades.
E agora vem a queda...

Escuro
Confuso
Covarde
Prometido
Assassinado
Molestado
Cai ao chão degolado
Sufocado.

“Mas ainda quero descansar em tuas asas...”
Jessie Jones
 Fotografia por: Luz María Vales